A inquietação não era nova. Desde cedo sentia que precisava entender as coisas do mundo. Estudava, pensava muitas horas, argüia a tudo e a todos. E como lia! Não lhe escapou nenhum! Sartre, Hegel, Kant, Platão, Marx, Heidegger, Kierkegaard.
Um dia fora visitar sua mãe. Após o almoço, sentou-se e abriu um livro.
Sua mãe começou a falar. Falava sem parar. Falava sobre como seria bom se aprendesse a usar o computador; falava sobre feiras, sobre as amigas.
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Até que ele fechou O Nascimento da Tragédia, olhou para ela e disse com olhos pegando fogo: “Porra, não está vendo que estou lendo coisas que tu nunca irás entender?”
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Até que ele olhou para o Nietzsche, sorriu, o deixou sobre a mesa e deu um longo abraço em sua mãe. Depois de um breve constrangimento, ela também sorriu.
Melhor sentir que entender, né?
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